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2002-10-08
Italianos projetam novos investimentos no Ceará
Gazeta Mercantil - 08/10/2002
O diretor-presidente do grupo Marilha, Cesare Dal Molin, sinaliza aplicações de US$ 50 milhões em três projetos já desenhados em Camocim.
O mapa de investimentos do grupo italiano Marilha, em Camocim, a 370 quilômetros de Fortaleza (CE), ganha contornos diferentes a partir da decisão de tocar novos empreendimentos na Costa do Sol Poente. O diretor-presidente, Cesare Dal Molin, calcula recursos da ordem de US$ 50 milhões para aplicação em projetos já definidos, e que devem contar com suporte de investidores de outras nacionalidades. A função de formar joint ventures e criar condições de investimentos hoteleiros será da Marilha Empreendimentos, uma das empresas do grupo.
A nova proposta envolve o ecoresort Sonho Tropical, na praia de Maceió, a 15 quilômetros de Camocim, projetado para 250 cabanas e 500 leitos. A construção, em área mais afastada e cercada por recursos naturais como dunas, lagoas, falésias, e coqueiros, envolve investimentos que chegam a US$ 10 milhões.
Nos planos ainda estão o resort Caranguejo Real, na praia do Farol, com 530 leitos, e o hotel Vila Lusitania, de 400 apartamentos com suítes e 800 leitos, distribuídos em dois andares, erguido ao lado do Boa Vista Resort.
Estamos considerando diferentes opções de hospedagem para atender turistas que chegam em vôos charter´, explica Dal Molin, que no Lusitania calcula investimentos da ordem de US$ 12 milhões.
A construção vai agregar praça, área verde, piscina, entre outros equipamentos, em área de 80 mil
metros quadrados e deve gerar mais 120 empregos diretos e o triplo desse número em indiretos.
Os italianos do Marilha já aplicaram no Estado cerca de US$ 50 milhões, incluindo nessa soma a compra de terras na região (cerca de 800 hectares), desenvolvimento de projetos, equipamentos, capacitação de pessoal, e a construção do Boa Vista Resort, inaugurado em março deste ano -, ponto de partida do Camocim Global Village, que prevê investimentos totais da ordem de US$ 412 milhões, em 40 empreendimentos, sendo 15 hotéis, e aplicados em uma década.
O retorno dos investimentos está estimado entre 6 a 8 anos. ´Trabalhamos com a perspectiva de crescimento gradativo´, acrescenta o gerente de implantação do Boa Vista Resort & Conference Centre, Ugo Covin, que colocou o produto em todas as operadoras do Brasil e, por enquanto, concentra esforços para viabilizar o acesso do turistas.
A distância de 370 quilômetros que separam o empreendimento da Capital cearense ainda inibem o acesso, feito hoje pela rodovia Estruturante e BR-222, caso de Fortaleza ou BR-402 Parnaiba-Camocim. No final deste mês começa a operar um sistema rodoviário com ônibus leito que sai às 6h de Fortaleza e chega 11h30 em Camocim. Com retorno às 13h e chegando às 18h na capital cearense, com serviço de bordo, lanches, bebida quente, filmes e entretenimento, sempre às terças e sextas-feiras. Para dezembro, segundo Covin, a investida contempla vôos fretados, trabalho implementado via operadoras de São Paulo. O esquema segue até março de 2003, com desembarque em Fortaleza e em Parnaíba (PI).
O Boa Vista, a dois quilômetros do centro histórico de Camocim, na praia das Barreiras, foi construído em formato horizontal, com aberturas que permitem a visão da paisagem emoldurada pelo mar e pelo rio Coreaú, tem 123 apartamentos, três suítes temáticas, centro de convenções com sete salas.
O eempreendimento é equipado com sistema de áudio e vídeo, business center com internet, bares, restaurantes, boate, quadra poliesportiva, labirinto com plantas medicinais nordestinas, tudo distribuído em dois mil metros quadrados de área de lazer, dentro de um total de 30 mil metros
quadrados. O projeto, que inclui ainda sauna a vapor masculina e feminina, salão de beleza, observatório para estudo das estrelas (dois dias por semana há curso de astronomia e astrologia), entre outros confortos, levou dois anos para ficar pronto e exigiu recursos de US$ 15 milhões, segundo Dal Molin. O empreendimento gera 100 empregos diretos, 70 das vagas ocupadas por moradores da região.