| |
O Povo - 24/10/02
Cerca de quatro mil turistas finlandeses estão sendo esperados para o período de novembro próximo a março de 2003 para conhecerem Camocim e as praias dos arredores.
Em termos de infra-estrutura, a região já possui bons e confortáveis hotéis, mas falta o projeto de um aeroporto sair do papel.
Camocim está devidamente credenciada para entrar na rota do turismo nacional e internacional.
Já está em pleno funcionamento o Boa Vista Resort & Conference Centre, primeiro complexo hoteleiro de uma série de três do grupo italiano Marilha cujo objetivo é transformar o litoral oeste cearense num destino para visitantes de todo mundo. A região oferece uma natureza exuberante com praias, dunas, lagoas e mangue, uma cidade de história recente e curiosa, e o dia-a-dia pitoresco do povo que mistura tradições sertanejas das fazendas e litorâneas da colônia de pescadores.
O plano tem tudo para dar certo. A principal vantagem com relação a outros destinos turísticos famosos está no fato de ser alta estação o ano inteiro, garantida por seus três graus de latitude - praticamente à altura da linha do Equador -, temperatura média de 27ºC e baixos índices pluviométricos, isto é, tem sol na maior parte dos dias. Mas o principal empecilho para a concretização desta meta ainda não está resolvido: a distância de 375 km de Fortaleza. A reinvidicação do grupo continua sendo a construção de um aeroporto que possa receber os vôos fretados oriundos da Europa - público primordial do grupo Marilha.
A região do Parazinho, distrito de Granja, é apontada como ideal para construção do aeroporto, já que beneficiaria igualmente o turismo para Jericoacoara, a Serra da Ibiapaba e até os disputados destinos do vizinho Piauí (Delta do Parnaíba e Parque Nacional de Sete Cidades) e Maranhão (Lençóis Maranhenses). Os recursos para sua construção deverão vir do Prodetur II, via financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), como acertado durante a reunião anual acontecida em Fortaleza, março passado.
Por enquanto, o visitante tem como única forma de chegar até o Boa Vista Resort desembarcar no Aeroporto Internacional Pinto Martins e enfrentar seis horas de estrada até Camocim - via BR-222, mal cuidada como boa parte das estradas federais que cortam o Ceará. A outra opção seria fazer o percurso via aérea em aeronaves de pequeno porte, tipo Brasília, até a pista de pouso de Camocim, sem qualquer estrutura que garanta segurança e conforto para os turistas. Outra alternativa terrestre seria a conclusão da rodovia estadual Costa do Sol Poente, no trecho entre o município de Itapipoca até Granja - o que reduziria significativamente a distância entre a capital cearense e os destinos turísticos do extremo litoral oeste do Estado.
Entre novembro e março do próximo ano estão previstas a vinda de cerca de quatro mil turistas finlandeses que deverão desembarcar em Fortaleza e enfrentar este problema. Segundo o guia de turismo Moisés da Costa, que fará o receptivo desses grupos, ''estrangeiros geralmente não se incomodam com a distância. Até gostam porque acham tudo muito exótico''.
Mas enquanto o aeroporto não sai do papel, o Boa Vista Resort está buscando como alternativa investir no turismo interno como forma de garantir uma taxa de ocupação média. ''Estamos participando de todos os eventos turísticos no Brasil com o objetivo de divulgar'', apontou o presidente do grupo Marilha, Cesare Dal Molin, em explanação a um grupo de jornalistas cearenses reunidos num fam tur num dos confortáveis auditórios do hotel. Na ocasião, ele apresentou todo o megaprojeto do Camocim Global Village, que inclui ainda a construção de mais dois complexos hoteleiros - um na Praia do Farol e outro na Praia do Maceió - cuja meta é oferecer 27 mil leitos em até 10 anos.
Autor: Luciano Almeida Filho |