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Diario Do Nordeste - 01/11/03
A Região Norte cearense deverá contar com um novo aeroporto como forma de atender ao mega projeto do Grupo Marilha, que pretende construir na cidade de Camocim, o “ Camocim Global Village”, um empreendimento turístico de 412 milhões de dólares e que irá reunir em torno da cidade um complexo hoteleiro para atração de turistas europeus e brasileiros. O anúncio da necessidade de um novo aeródromo foi feita na tarde de ontem, pelo brigadeiro Adair da Silva, ex-presidente da Empresa Brasileira de Infra Estrutura Aeroportuária - Embraer e atual responsável pela elaboração do plano diretor do novo terminal.
Em reunião com o secretário Estadual de Infra-Estrutura do Ceará, Luiz Eduardo Barbosa de Moraes, com o presidente do Grupo Marilha, Cesare Dal Molin, e representantes das secretarias estaduais de Turismo e de Desenvolvimento Econômico, Adair da Silva apontou a construção do novo aeroporto como fundamental para o desenvolvimento do novo projeto, tendo em vista que o aeródromo atual não apresenta as condições mínimas necessárias para receber aeronaves de grande porte, nem mesmo elevado fluxo de turistas.
Conforme explicou o brigadeiro, o atual aeroporto conta com pista de apenas 950 metros, quando são necessários, pelo menos, 2.300 metros para aterrissagens de aviões de grande porte. “O aeroporto de Camocim só tem capacidade para receber aviões Bandeirantes e nem tem área para expansão”, informou Adair da Silva, sugerindo a construção de um novo aeródromo em área limítrofe entre os municípios de Granja e Camocim.
Projeto vai envolver toda a comunidade
Apesar de distar 42 quilômetros da cidade de Camocim, o novo sítio para construção do aeroporto já foi vistoriado e reúne, segundo o brigadeiro Adair da Silva, as condições ideais. Com área plana de cerca de 2.700 hectares, o terreno poderia dispor facilmente de mil hectares para construção da pista, do pátio de taxiamento, do angar, terminal de passageiros e demais instalações. “O local é ideal porque é uma área rural, sem objeções ambientais e que evita quaisquer problemas de relacionamento urbano, como barulho, desapropriações etc”, enumerou o brigadeiro.
Para ele, assim como o novo aeroporto é fundamental para o desenvolvimento turístico da região, o novo empreendimento é essencial para a viabilidade econômica do novo terminal. A observação é confirmada pelo presidente do Grupo Marilha, Cesare Dal Molin, para quem a construção do novo aeroporto é condição “sine qua non” para a realização do mega empreendimento.
“Esse sonho precisa do aeroporto”, expôs Cesare Molin, explicando que o Camocim Global Village é um projeto turístico inovador, que, ao invés de se constituir de ilhas paradisíacas em determinada praia do município, constará de uma rede hoteleira com capacidade para 9.000 apartamentos ou 27 mil leitos, numa área de 1.200 hectares em torno da cidade de Camocim, proporcionando a geração de 7.000 empregos diretos.
“O nosso projeto sugere necessariamente o envolvimento dos turistas com a comunidade, com os costumes da cidade, com a história e cultura do seu povo, além de poder desfrutar das riquezas naturais que a região oferece”, explicou o empreendedor.
A expectativa é de que o empreendimento atraia 1.800 turistas semanais no primeiro ano e cerca de 30 mil, em dez anos, sendo 60% europeus, 10% sulamericanos e os demais brasileiros. “ O nosso objetivo é transformar o norte do Ceará em novo pólo do turismo nacional”, enfatizou. |