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Diario Do Nordeste - 08/06/04
Oitenta porcento das empresas portuguesas estão instaladas em Fortaleza, tendo como principais setores de atuação as áreas de energia (nove empresas), hotelaria (14) e alimentação (28).
Quase todo investimento português está concentrado em Fortaleza. Isso significa que 80% das empresas portuguesas estão instaladas na Capital tendo como principais setores energia (nove empresas), hotelaria (14) e alimentação (28). O presidente da Câmara Brasil Portugal no Ceará, Rômulo Alexandre Soares, afirma que até 2002, foram catalogadas 167 empresas portuguesas ou com participação de portugueses no Estado. Em 2001, o número era de 48. Isso mostra que a internacionalização é um processo, diz.
Associado a esse processo, existem outros fatores. A mão-de-obra local, por exemplo, que representa outro ponto de vantagem aos investidores internacionais. Ou seja, o custo/benefício de treinar e capacitar a mão-de-obra local vale a pena, ressalta Rômulo Alexandre Soares, admitindo ser a portuguesa mais cara do que a cearense. Por isso, a fama de que o operário cearense possui capacidade de aprendizagem rápida já cruzou o Atlântico.
Mas facilidade da língua e de trabalhadores, podem não significar sucesso garantido aos empreendedores. Por isso, Rômulo Alexandre Soares chama a atenção para o investidor pessoa física que é sazonal, avisa. No entanto, investidores de outros ramos como têxteis e de turismo apostam no Ceará. Em 2000, grandes empresas estrangeiras entraram no Ceará e geraram 20 mil empregos.
Ele destaca também a formação da mão-de-obra local que deve ser aperfeiçoada. Os empreendimentos Vila Galé (Capital) e Oásis, em Beberibe, 80% do seu público alvo são turistas estrangeiros. Hoje, o Brasil é o principal foco para a internacionalização da economia portuguesa, que mantém negócios com países do Leste europeu e com a África.
“Estamos sendo redescobertos pelos patrícios (portugueses)”. É dessa maneira que o coordenador de investimentos da Secretaria de Turismo (SETUR), Alexandre Cabral, se refere aos investidores portugueses que estão se instalando no litoral cearense. Mas não são apenas portugueses que aportam por aqui dispostos a investir em negócios.
Figuram na lista também italianos e espanhóis. Alguns, trazem na manga propostas ousadas. É o caso dos investidores italianos, nacionalidade predominante no município de Camocim, que querem um aeroporto privado naquela cidade. “A pretensão é trazer um fluxo direto da Europa para Camocim”, assegura Alexandre Cabral, que se mostra favorável à construção do Aeroporto Parazinho, que deve custar entre US$ 26 a US$ 30 milhões.
Com a construção do equipamento, que faz parte do item infra-estrutura e que cabe ao Estado fornecê-la, “haverá uma explosão de investimentos na região de Camocim”, festeja Alexandre Cabral, explicando que o projeto da obra está sendo concluído. Chega a arbitrar até a data para a sua conclusão: entre um a dois anos. “Eles não vão construir hotéis antes”, diz, afirmando que estão previstos investimentos da ordem de R$ 1 bilhão na região.
Em Paracuru os investidores são de bandeira espanhola. Está prevista a construção de um complexo formado por 20 hotéis e pousadas. O projeto está em fase de venda. Estão previstos investimentos de R$ 200 milhões. A contrapartida do Estado é proporcionar melhoria na infra-estrutura do Município (saneamento, abastecimento, melhoria do acesso, capacitação de mão-de-obra e construção de aterro sanitário).
Outra localidade na mira dos investidores estrangeiros é Mundaú, onde está prevista a construção de hotéis na região do Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (PRODETUR II). Trata-se de um grupo de espanhóis que pretende construir 10 hotéis. Inicialmente, serão construídos dois hotéis, um dos projetos deu entrada na Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace). |