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O Povo - 14 Agosto do 2004
A região de Jericoacoara, no Ceará, o Delta do Parnaíba, no Piauí, e os Lençóis Maranhenses receberão investimento para melhoria de qualidade dos serviços turísticos. No Ceará, o pólo beneficiado é o principal destino do Estado, depois de Fortaleza
O corredor de ecoturismo formado pelas regiões de Jericoacoara, no Ceará, Delta do Parnaíba, no Piauí, e Lençóis Maranhenses receberá um investimento de R$ 3,7 milhões na melhoria dos serviços turísticos através da capacitação dos pequenos empreendedores da região. Esta é a meta do Projeto Cepima, anunciado ontem pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) nacional e que contará com o apoio das representações da entidade nos três estados beneficiados.
O anúncio foi feito em um seminário sobre turismo promovido pelo Sebrae Ceará. De acordo com Ana Clévia Guerreiro, coordenadora do Programa Sebrae de Turismo, a intenção é vender melhor o trajeto para aumentar o fluxo de visitantes. Inicialmente, será feito um diagnóstico da realidade de 12 cidades (quatro de cada estado) que estarão no roteiro. ''Além das belezas naturais, os produtos típicos e a cultura de cada uma também podem se consolidar como atrações turísticas'', afirma.
No Ceará, a região beneficiada envolve os municípios de Barroquinha, Chaval, Jijoca de Jericoacoara e Camocim, localizados no Pólo Litoral Oeste - principal destino turístico do Estado, depois de Fortaleza, e que recebeu um total de 165.660 visitantes, segundo informações fornecidas pela Secretaria do Turismo do Estado (Setur).
Só o município de Jijoca de Jericoacoara, no ano passado, recebeu 106.817 turistas, o que lhe confere o quinto lugar entre os destinos do Estado - sem considerar a capital cearense. Além disso, o tempo de permanência médio, em 2003, dos visitantes - 3,3 dias - foi maior que os das outras quatro cidades mais freqüentadas do litoral (Aracati, Caucaia, Beberibe e Aquiraz).
Apesar disso, na avaliação de Ugo Covin, gerente do hotel Boa Vista Resort, em Camocim, que trabalha na região há seis anos, ainda há muitas deficiências a serem supridas. Ele cita problemas de infra-estrutura, como falta de saneamento básico e água tratada e boas estradas, além de falta de capacitação dos recursos humanos para oferecer um atendimento melhor para os turistas.
Para amenizar os problemas do lado cearense do corredor turístico, a coordenadora do Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur) no Estado, Iraci Fernandes, afirma que, com recursos de um empréstimo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a ser concedido até o começo de 2005, será feito um investimento de aproximadamente US$ 10 milhões na região, nos próximos quatro anos.
Entre as obras previstas está a continuação da rodovia Estruturante (que hoje vai até Barrento, distrito de Itapipoca, e chegará a Camocim), definição de novas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) e a urbanização da orla de Camocim. Também está em estudo, segundo ela, a construção de um aeroporto em Camocim pela iniciativa privada com apoio do Governo do Estado, que irá fornecer saneamento básico, eletrificação e vias de acesso. O prazo, no entanto, ainda não foi definido, porque a obra ainda está em fase de aprovação do impacto ambiental.
Mais profissionalização dos serviços, aumento dos locais com atendimento bilíngüe e fim da sazonalidade do turismo, que trabalha com taxa de ocupação acima de 70% nos hotéis, na alta estação, formada pelos meses de dezembro, janeiro, fevereiro e julho, e aproximadamente 40% no resto do ano. Estas são as metas a serem alcançadas na atividade turística do Ceará, na avaliação do Secretário do Turismo Alan Aguiar.
''Os turistas não devem vir só por causa das nossas belezas naturais'', afirma. Entre as opções para a atração de visitantes, ele cita o turismo de eventos, o religioso, o cultural e o de aventura. Atualmente, o Ceará tem seis principais pólos turísticos, além de Fortaleza, e recebeu, no ano passado, um total de 1.550.857 visitantes.
O secretário afirma que o Estado tem vários motivos para atrair turistas, como proximidade geográfica com a Europa (comparando-se com outras capitais nordestinas), preços competitivos dos serviços e boa rede de hotéis e equipamentos turísticos. As deficiências, no entanto, também existem: ''ainda temos problemas de infra-estrutura, rotas aéreas internacionais que não suprem a demanda e falta de recursos'', reconhece. |